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Talento? Ou...? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Diário do Nuno
Escrito por Nuno Frazão
Domingo, 13 Março 2011 23:04

15/5 sobre Nishioka no quadro 64, 15/4 frente a Rouzavina no quadro 32, 10/9 com Ikehata nos 16, 15/13 sobre Shanaeva, 7/3 frente à colega Di Francisca e 15/12 na final frente a mais uma companheira, desta feita Errigo. Foi este o percurso da Italiana Valentina Vezzali até à sua 75ª vitória no Circuito Mundial (é verdade. Não é erro de escrita. 75ª vitória).

valentina-vezzaliAos 37 anos Vezzali junta mais um número estatístico ao impressionante palmarés que, só em Ouro individual nos grandes campeonatos, conta com:

  • *Titulo Olímpico em 2000, 2004 e 2008 (aqui permitam-me o parêntesis para a referencia à medalha de Prata em 1996).
  • *Título Mundial Sénior em 1999, 2001, 2003, 2005 e 2007.
  • *Título Mundial de Juniores em 1993 e 1994
  • *Título Mundial de Cadetes em 1989, 1990 e 1991
  • *Título Europeu de Seniores em 1998, 1999, 2001, 2009 e 2010
  • *Título Europeu de Juniores em 1992 e 1993

Perante estes fenómenos, sejam eles do Mundo Desportivo ou de qualquer outra área do nosso quotidiano, a primeira tendência é cairmos na explicação do – Talento. Claro que todos sabemos que hoje em dia é necessário juntar muito trabalho ao talento mas, toda a maneira, desempenhos desta natureza parecem-nos sempre provenientes de um tal de Talento que supera em larga escala o trabalho que lhe está associado.

Á medida que vou tendo oportunidade de conhecer com um pouco mais de profundidade casos como este da Floretista Italiana, vou reparando que, mais do que o talento (que é algo não mensurável) existem outras características que talvez sejam as grandes responsáveis de este tal Talento.

Comecemos pelo trabalho… ou melhor… pela capacidade de trabalho (e aqui leia-se capacidade de trabalho como um conceito amplo que engloba não só a sua realização mas também a qualidade que se coloca na execução desse trabalho, assim como a motivação e predisposição para o fazer, quer nos momentos difíceis, quer nos momentos de maior facilidade após bons resultados).

Uma entrevista dada a 20 de Fevereiro de 2011 (http://iltelevisionario.wordpress.com/2011/02/20/intervista-a-valentina-vezzali-campionessa-doro/) ajuda-nos a compreender este aspecto da capacidade de trabalho.

Questionada quanto ao número de horas que treina por dia a resposta é… 8h. Questionada quanto ao preço a pagar por chegar tão alto, tendo em conta os sacrifícios, a resposta é… elucidativa – “Não paguei preço nenhum. Os sacrifícios não os vejo como tal, para mim é uma paixão e mesmo ocupando-me tanto tempo faço-o com prazer.”

Um pouco mais à frente, questionada quanto à forma como enfrenta as derrotas, tendo em conta tudo o que já ganhou, Vezzali aponta para outra das suas forças – “… concentro-me no que preciso para vencer, face aos objectivos a serem alcançados. Os meus pensamentos são canalizados para o futuro e não para o passado. As derrotas são muito preciosas, fazem-nos crescer, compreender os nossos erros e corrigi-los. São uma grande fonte de ensinamento, sem eles não seriamos completos. Fazem parte da vida e do jogo.”

De Valentina Vezzali recordo-me ainda de uma outra entrevista que li algures aqui pela net onde, depois do 5º lugar no Mundial de 2009 em Antalya, o entrevistador fazia um balanço da sua carreira e lhe perguntava se depois de ganhar tudo e repetidas vezes não punha a hipótese de se lançar noutros desafios, como por exemplo ingressar na espada. A resposta de Vezzali foi pronta – “ Não ponho de parte uma ideia dessas mas, agora, tenho que trabalhar para ganhar a quem me venceu hoje. Depois de o conseguir, então poderei pensar noutro desafio."

Para além do trabalho, nestes casos como Vezzali, há sempre uma determinação… bastante acima do normal.

Para o ilustrar deixem-me contar esta história que me foi contada pelo Mestre Francês Levavasseur, num almoço em Formia onde tive o privilégio de integrar uma mesa com os Mestres Cuomo, Di Ciolo e Pantoni, passando os cinco cerca de 2 horas partilhando experiencias de treino e discutindo exercícios de lição. A determinada altura, Levavasseur fala da campioníssima Laura Flessel, a primeira mulher Campeã Olímpica de Espada (Atlanta 1996), com a qual trabalhou 7 anos. Dizia ele que na sua vasta experiencia como Mestre de atletas de alto nível, nunca treinou ninguém com uma vontade de ganhar como Flessel. Em 7 anos de trabalho não houve um dia, nem um único exercício, em que ela não desse tudo para ganhar ou fazer melhor, ou mais rápido ou mais… E, quando não conseguia… voltava a repetir e a repetir e a repetir até atingir o objectivo proposto.

De facto, quando olhamos para estes casos e temos a possibilidade de os analisar um pouco melhor, parece que o tal de Talento (abstracto e não mensurável) se traduz num conjunto de outras qualidades desenvolvidas ao longo do tempo.

E para que isto não seja apenas uma reflexão empírica, aqui vos deixo uma sugestão de leitura bem cientifica que aponta na linha do que aqui falei - “O Talento não é Tudo” de Geoff Colvin.

Comentarios (2)

Pois...
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"The dictionary is the only place that success comes before work. Hard work is the price we must pay for success. I think you can accomplish anything if you're willing to pay the price."

Vince Lombardi, treinador dos Green Bay Packers
La Croix , 14 de Março de 2011
Pois...
123
O artigo está muito bom e e deverá servir de exemplo para aqueles que querem seguir estes caminhos...
Contudo temos que pensar em mudar alguma coisa porque, em portugal, é impensável um atleta treinar 8 horas por dia (a menos que seja futebolista)...
Rodrigo , 14 de Março de 2011

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