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O meu início na Esgrima PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Diário do Nuno
Escrito por Nuno Frazão
Quarta, 11 Julho 2012 23:02

Por estranho que possa parecer, esta fotografia representa o início da minha “carreira” na Esgrima há cerca de 25 anos atrás (verdade seja dita, o início e por pouco o fim, mas a essa história já lá vamos).

 

teste_Hip2O cenário era este mesmo, o “de cima” era um pouco mais pequeno e mais novo e o “de baixo” era para aí da geração do avô deste, de pelo russo e chamava-se Arsene Lupin.

Mas passo então a explicar a história, a ver se isto começa a fazer mais sentido…

O meu primeiro contacto com a Esgrima veio através do Pentatlo tinha eu para aí uns 16 anos. Jogador de Futebol desde os 10 anos, andava às turras com os joelhos num probleminha de crescimento cuja definição wikipédica aqui deixo a título de curiosidade:

“A síndrome de Osgood-Schlatter (OS) é uma doença osteo-muscular (e extra–articular) comum em adolescentes, predominantemente do sexo masculino da faixa etária dos 10 aos 15 anos. É caracterizada por umainflamação que ocorre na cartilagem do joelhoe no osso da tíbia devido ao esforço excessivo sobre o tendão patelar, causada por um crescimento muito rápido ou por exercícios físicos extenuantes.”

Com a ajuda deste Osgood-Schlatter que me impedia de continuar a jogar, pois o tratamento é repouso (que sempre foi um remédio que tive dificuldades em tomar) e impulsionado pelo facto do meu irmão ter iniciado a prática de um tal de Pentatlo Moderno, resolvi começar.

À boa maneira Tuga, resolvi começar praticamente com… uma prova. Sem saber muito bem como é que tudo aconteceu, quando dei por mim estava inscrito numa prova de Pentatlo Moderno, mas apenas para realizar Corrida, Natação, Tiro e Esgrima, sendo estas duas últimas disciplinas quase uma novidade para mim pois pouco mais do que uns treininhos para saber as regras e experimentar teria feito.

O universo de praticantes era reduzido, a base da natação também não era famosa e depois de Esgrima, Natação e Tiro a minha posição na classificação (que não faço ideia qual era) animava os responsáveis Federativos que prontamente criaram um conflito familiar entre o meu Pai e a minha Mãe ao proporem a minha participação no Hipismo de forma a pontuar para a prova de Pentatlo Moderno.

(para que se entenda o porquê desta proposta, no regulamento, está escrito que para se realizar uma prova de Pentatlo o atleta tem que iniciar todas as disciplinas, podendo então abandonar e registar 0 pontos. Caso não inicie cada prova será desclassificado)

A tarefa proposta parecia simples. Não sorteavam cavalo para mim, escolhendo uma “pileca” daquelas mansinhas e um soldado segurava o cavalo levando-me desde o picadeiro até ao campo de obstáculos onde no final me recolhia e trazia de novo para baixo. A mim cabia-me a tarefa simples de cumprimentar o Júri, cruzar os visores a passo para dar inicio à prova e… desistir marcando 0 pontos.

O plano parecia perfeito, o meu Pai e eu dizíamos sim e a minha Mãe dizia que NÃO (com discussão entre eles assim À distância para o filho não ver).

Prevaleceu a democracia e lá me sentei no Arsene Lupin seguindo pela mão do soldado até à porta do Campo de obstáculos do Colégio Militar. Dentro do recinto de prova estive ao meu melhor nível, cumprindo todo o plano, com exceção da recolocar o elástico de prisão do toque (capacete de proteção) após o ter retirado para saudar o Júri, uma vez que as mãos faziam-me falta nas rédeas para tentar manter o equilíbrio.

Daqui para a frente já o narrador desta história passou a ser o próprio Arsene Lupin. Dirigiu-se para a porta indiferente à minha permanência no seu dorso e, dada a ausência do soldado no local, rumou às cavalariças em galope apressado colocando-me numa situação embaraçosa, algures entre o desequilíbrio total e a desproteção de um toque que tinha voado da minha cabeça dada a ausência do elástico e a excessiva turbulência do dito galope.

Talvez estando pouco habituado a estas saídas à pressa do campo de obstáculos, o Arsene Lupin falhou o caminho, seguindo pelo espaço de terra que acabava no topo daquele barranco que veem na fotografia por trás de mim (e que agora tem umas fitas de proteção). Ora o nosso Lupin, em pleno excesso de velocidade, deparando-se com aquele obstáculo natural de cerca de 1 metro de altura fez uso de um poder de travagem muito acima da média e, por força da inércia lá me projetou por cima da sua cabeça numa trajetória ligeiramente a fugir para a esquerda, de forma a proporcionar-me uma receção já no alcatrão (digamos que terei saído de uma altura de cerca de 2,5 metros para cair 3 metros mais à frente).

(…)

… ao final da tarde, regressando com o meu Pai do hospital, já com a perna esquerda e o braço direito engessados, lá recebemos mais uma dose reforçada de reprimendas da Mamã (em boa hora não havia telemóveis na época, caso contrário, as muitas horas na salaà espera do ortopedista teriam sido preenchidas por simpáticas sms de -“eu tinha razão”, “só fazem disparates” e, quem sabe, o meu pai teria até recebido uma só para ele do tipo “ainda tens menos juízo do que os miúdos”).

3 semanas mais tarde, retirado o gesso, restava-me decidir: Começo? Ou acabo já esta coisa do Pentatlo?

Escolhi aprimeira hipótese e, com a muita paciência do extraordinário Major (na altura) Ribeiro de Faria lá aprendi a montar e a fazer provas de obstáculos.

Mas não pensem que foi tudo facilidades desde esta queda até à prova de hipismo do CampeonatoHipismo_Mundial_89 do Mundo de Juniores de 1989 no CMEFD em Mafra, onde, em conjunto com este excelente cavalo (foto de cima), que não era ao acaso que trazia o número 1 na “testa”, alcancei o primeiro lugar.

Depois do Major Ribeiro Faria me ter ensinado a montar e me ter preparado para as provas seguiram-se… três desclassificações seguidas por erro de percurso. Pois é... aprender a decorar o percurso foi outra aventura, mas esta foi só uma questão de tempo.

O resto da história é uma história igual a tantas outras no mundo do Pentatlo Moderno, de um atleta que começou a achar que não tinha tempo para treinar tudo como deve ser, apaixonou-se por uma das 5 modalidades e passou a ser praticante, neste caso, de Esgrima.

E de onde nasce esta memória toda?

Bem, esta era outra história um pouco comprida mas o melhor é resumir que, quem já chegou até este paragrafo já não está com paciência para muito mais.

18 anos depois do último Pentatlo que fiz decidi voltar a participar numa prova. O Open que terá lugar nos dias 21 e 22 de Julho.

A ideia nasceu meio por brincadeira em conjunto com o Afonso, João, Pedro e Káká e, quando dei por mim já andava a relembrar a natação e experimentar uns tiros preparando-me para a tarefa. Faltava o hipismo e, mais importante que tudo, o certificado para poder montar em prova (sim que isto de montar sem saber e entrar numa prova, é coisa com mais de 20 anos).

Esta manhã, com a ajuda do Alexandre, lá estivemos a fazer o exame para o certificado que nos permite participar na prova de hipismo. 18 anos depois da última vez e no mesmo local onde há quase 25 anos iniciei esta aventura voltei a montar a cavalo… ESPETÁCULO, FANTÁSTICO, MARAVILHOSO.

teste_Hip3

Obrigado Alex e um grande obrigado também ao Sr. Major que nos enquadrou no exame.

Open Sénior aqui vou eu =)

Comentarios (1)

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Grande amigo, é com grato prazer que tomo conhecimento de mais um episódio glorioso do teu passado/presente/futuro desportivo. Avança, em cima em frente, não deixes que que esse primo do teu grande amigo e camarada "Arsene Lupin" te derrube ou se interponha entre ti e o título!
Vai em frente, tu consegues, resta fazer com que o binómio homem/cavalgadura faça mais que zero pontos!
;-}
Carlos Silva , 15 de Julho de 2012

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