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Para mim no existem desportos individuais. Sem entrar nas diversas teorias que organizam e agrupam as modalidades desportivas, at porque mesmo essas no so consensuais, tenho dificuldade em aceitar esta primeira grande diviso em individuais e colectivos, pois no acredito que exista na prtica essa mesma separao.

O Ciclismo um grande exemplo de como uma modalidade individual no mais do que um claro esforo colectivo. O sucesso de um campeo assenta nas suas capacidades, aliadas ao trabalho do “aguadeiro” (colega de equipa responsvel por se atrasar em determinados momentos das etapas para recolher os abastecimentos lquidos junto do carro de apoio, acelerando depois peloto a dentro para lhe entregar a sua garrafa) e ao esforo dos colegas que o acompanham nos momentos determinantes, recuperando atletas em fuga ou lanando o campeo para um ataque ou sprint final.

Se olharmos para o desempenho desportivo de uma forma mais global, temos dificuldade em dissociar o momento da execuo – competio – do momento da preparao – treino – e a este nvel de anlise mais difcil se torna encontrar uma modalidade desportiva qual, no meu entender, lhe possamos chamar individual.

Lus Loureno e Fernando Ilharco escreveram um dos livros mais interessantes que li at hoje – Liderana as lies de Mourinho – baseado na Tese que obteve nota mxima na Universidade Catlica. Um livro que considero de leitura obrigatria para todos os que trabalham com pessoas e no qual se apresentam inmeros exemplos de situaes profissionais de Jos Mourinho. A determinada altura refere-se o Trofu conquistado pelo Chelsea nos Estados Unidos que Mourinho fez questo de oferecer ao tratador da relva de Stamford Bridge, por considerar que o sucesso da equipa naquele incio de poca se deveu excelente qualidade dos treinos executados, s possveis porque o estado do campo estava excepcional.

A Esgrima , para mim, tambm um desporto claramente colectivo, cheia de “tratadores de relva” que contribuem para o sucesso do Campeo. Cada vez mais tenho dificuldade em acreditar que um talento possa alcanar o sucesso sem um colectivo. Um colectivo composto por diversas individualidades como o colega divertido que, apesar de no ser um adversrio de peso o animador do treino com a sua alegria e brincadeiras, ajudando o Campeo a regressar Sala 2-feira quando o fim-de-semana foi desportivamente desastroso, o “calmeiro” desajeitado com uma esgrima esquisita, que embora de nvel baixo, ajudou o Campeo a ultrapassar na prova um daqueles “atiradores fraquitos” que muitas vezes o afastam da competio, o colega trabalhador que, em treino tem um desempenho fantstico, ajudando o Campeo a melhorar os seus recursos por fora das dificuldades que lhe coloca, mas que em prova se retrai e no obtm bons resultados… e tantas outras figuras, estereotipadas ou no, sem as quais dificilmente se constri o sucesso de um Campeo.

Mas ser que tudo isto suficiente? Penso que no. Um colectivo necessita uma identidade. Uma identidade que promova vontade, fora e superao. Um “vestir a camisola” que produza unio e diferenciao dos restantes. Algo que se pode construir em torno de umas simples meias s riscas, mas que urge criar em torno do Hino e da Bandeira Nacional.

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