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Só dependia de "mim" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Diário do Nuno
Escrito por Nuno Frazão
Terça, 11 Agosto 2009 23:34

clopes1h da manhã de domingo, 12 de Agosto de 1984.

Completamente ensonado, acordo com o despertador que programei para me arrancar da cama e transportar-me até à sala, frente à televisão, para assistir à maratona masculina dos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Tinha combinado acordar o meu pai lá mais para a frente da corrida, caso Carlos Lopes estivesse na discussão das medalhas,o que cumpri lá pelas 2h50 da madrugada, altura em que a passagem aos 35Km colocava Lopes, o Irlandês Treacy e o Britânico Spedding isolados no grupo da frente.

Com os 5Km entre os 35 e os 40, corridos em 14 minutos e 33 segundos, Lopes foi demolidor e entrou no Estádio Olímpico completamente isolado com uma passada “fácil” e cerca de 200 metros de avanço para Treacy.

Estava conquistada a primeira medalha de OuroOlímpica do desporto Português e, eu e o meu pai, éramos apenas dois dos muitos Portugueses que tiveram a felicidade de viver em directo este fantástico momento.

Com o feito de Lopes a cumprir as Bodas de Prata, o jornal “Record” de 11 de Agosto trouxe de novo Carlos Lopes para as páginas centrais da imprensa escrita, com uma entrevista muito interessante que tive a sorte de ler, dada a minha condição de leitor de jornais desportivos em tempo de férias e da qual aqui transcrevo algumas partes que reforçam um dos aspectos que considero mais importantes num atleta de competição:

“… a maratona de Los Angeles foi preparada por mim meticulosamente. E nada falhou, desde os treinos, ao andamento e à própria antevisão da corrida. Estava muito confiante e sabia que tudo dependia de mim.”

“Tinha estudado os meus adversários e sabia onde eles iam atacar…”

“A parte mais difícil estava feita e fiquei consciente que a vitória só dependia de mim. Sentia-me preparado para aguentar todos os andamentos e todas as subidas.”

“… Se tivesse perdido, o único culpado era eu que não estava à altura.”

A confiança de um atleta tem que ser construída na força das suas capacidades.

Todo o trabalho desenvolvido nos treinos, nas competições, no estudo e na reflexão tornam-nos mais fortes e mais capazes, ao longo de um percurso que vai desenhando a história da carreira desportiva de cada um.

O caminho mais fácil em competiçãoé escondermo-nos na culpa dos “outros”, quer antecipadamente, nos habituais disparos em direcção às faltas de apoios – Federações, políticas desportivas, etc., etc… (comum por esse mundo fora), quer durante e pós competição – nível dos adversários, arbitragem, etc., etc… (também comum por esse mundo fora), arranjando justificações externas para aquilo que não conseguimos fazer.

A outra hipótese é trabalharmos no “Eu”.

Quer o resultado final seja positivo ou menos positivo, o importante é o que “Eu” vou fazer ou o que “Eu” podia ter feito melhor.

Só assim “Eu” evoluo. Só assim, um dia, “Eu” poderei dizer como o Carlos Lopes – “Só dependia de mim” - e, nessa altura, "serei" um verdadeiro Campeão... qualquer que seja o resultado final.

Comentarios (1)

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Parece-me que a focagem de cada atleta apenas em si próprio é fundamental, aliás penso ser a única forma de chegarmos mais longe. Mas diria mais, acho que deve ser um principio de vida, daqueles que nos faz acreditar que podemos chegar até onde quisermos se nos concentrarmos em nós próprios e no nosso trabalho.
Alexandre Reis , 21 de Agosto de 2009

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