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Diário do Nuno
Escrito por Nuno Frazão
Domingo, 21 Fevereiro 2010 22:53

5ª-Feira é dia de ensaio da Banda.

Termino as aulas às 13h15, dirijo-me para o refeitório e almoço com o Hugo. Esgrima e Musica são o tema de conversa habitual, enquanto “engolimos” o almoço de forma a retirarmos o menos tempo possível ao ensaio que tem que terminar impreterivelmente ás 14h30, momento em que a campainha da Escola nos volta a colocar frente a um conjunto de alunos.

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O Hugo, de entre muitos outros projectos, é teclista dos GNR e, na passada 5ª-Feira a conversa ao almoço recaiu sobre o programa televisivo Ídolos, onde os GNR tinham actuado na Gala Final de Domingo.

 

Falava-me o Hugo da loucura à volta daqueles miúdos (concorrentes), que em cerca de 3 ou 4 meses ascendiam de simples cantores, muitos deles caseiros, a verdadeiros profissionais com solicitações para as quais não estavam minimamente preparados.

Dizia-me ele, cheio de razão, que quem tinha tido sorte era a rapariga, a Diana, uma vez que, tendo perdido a final, não teria tanta pressão em cima dela e poderia fazer um percurso na música com calma, passo a passo, aprendendo e evoluindo.

 

Como acontece habitualmente nos nossos almoços de 5ª-feira, se um está a dar um exemplo da sua área, o outro está logo a descobrir um paralelismo com situações da sua especialidade e, o almoço da passada 5ª-feira, não fugiu à regra.

 

Estava o Hugo a falar dos Ídolos e eu a ver como este “filme” se passava aqui prós lados da Esgrima.

 

Um jovem esgrimista dá nas vistas com um ou dois bons resultados, ou mesmo com um desempenho de valor frente a outro esgrimista mais credenciado, mesmo que saia derrotado, e imediatamente começa o “filme” da aceleração.

 

Na procura da motivação, exagera-se por vezes na valorização de determinados desempenhos. Esquece-se que temos um universo pequeno (num escalão com um Ranking de cerca de 50 atletas, apenas 10/12 participam nas provas com regularidade, obtendo pontos em toda as provas) e esquece-se que a esgrima é um desporto “cruel”, com um sistema de competição eliminatório, onde num curto espaço de tempo um atirador pode oscilar entre o mau e o excepcional, e aprender a “digerir” sucesso e insucesso é uma tarefa árdua que requer maturidade e um acompanhamento de proximidade.

 

Do “dar nas vistas” (normalmente alcançado sem grande pressão) passa-se rapidamente ás expectativas elevadas. Se já se conseguiu uma vez, depreende-se que passa a ser possível… sempre. Ou quase sempre… ou na pior das hipóteses um maior número de vezes do que aquelas em que não se consegue.

Eleva-se a fasquia, eleva-se a pressão, aumenta a insegurança de falhar e temos meio caminho andado para começar a “ler” insucesso em quase tudo o que nos vai acontecendo abaixo daquilo que já alcançámos (nem que tenha sido apenas uma vez). Uns iniciam um perigoso mergulho na desmotivação e na responsabilização da sua própria (in)capacidade, outros, com outras características individuais, disparam em todas as direcções, encontrando sempre factores externos culpabilizáveis.

 

Segue-se o velho chavão da – falta de rodagem – e carrega-se mais ainda no acelerador. Passa-se a jogar sistematicamente 1 ou 2 escalões acima duplicando ou triplicando o número de provas nacionais por época.

Iniciam-se as participações internacionais, de preferência nas competições do Circuito Mundial onde estão todos os atiradores mais fortes do Mundo e onde as provas têm, normalmente, mais de 100/130 atiradores, colocando um desempenho de passagem de poule e mais 2 vitórias de eliminação directa numa discreta classificação perdida a meio da tabela e fazendo de uma poule sem vitórias suficientes para a passagem ao quadro 128 ou 64 um duro desaire.

 

Procura-se dar experiência e vamos ficando mais experientes… no insucesso.

 

E enquanto os jovens atletas vão perdendo o sorriso a caminho da Sala de Esgrima, os adultos vão continuando a carregar no acelerador.

 

O fim? Todos conhecemos. Uns mais convictos, outros apenas escondidos, lá vão colocando ponto final a pretexto da falta de condições, ou da faculdade, ou da vida profissional… ou de outra coisa qualquer.

 

A aprendizagem precisa de tempo, o desenvolvimento precisa de tempo e a consolidação precisa de tempo. E até o tempo… não é igual para todos.

 

O Ídolos foi um programa de entretenimento televisivo. Não foi um programa para descobrir talentos, caso contrário teria outro nome. Talvez… Talentos.

Confundir o fim com o princípio parece-me um mau começo. E quem paga é sempre o mesmo. O Artista.

Que no nosso caso… é o Esgrimista.

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