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Diário do Nuno
Escrito por Nuno Frazão
Segunda, 10 Outubro 2005 00:00
A Esgrima trouxe-me momentos inesquecíveis.
Deu-me a conhecer o Mundo e com isso aferir o conceito de realidade, pôs-me à prova em situações de grandes vitórias e de duras derrotas treinando-me para os obstáculos da vida, enfim... não me ficou a dever nada face à dedicação que lhe prestei como atleta.
Tal como nas palavras que escrevi por altura do Europeu os momentos de grandes competições não me são indiferentes e, não me trazendo tristeza pelo facto de já não participa neles, trazem-me à ideia histórias gravadas na memória.
Estes Mundiais que decorrem na Alemanha não fogem à regra e, ontem, enquanto assistia na televisão à final de Espada dei comigo a vaguear pela prova de equipas de 2001 em Nimes.
Ordenados com o nº 29 lá nos dirigimos para o pavilhão, eu o João, o Bruno, o Mestre Horvath e o fisioterapeuta Alexandre, para defrontar na primeira ronda a fortíssima Áustria, nº4 do Ranking Mundial candidata a um lugar entre as medalhas.
A oposição era forte mas sentíamos que era possível fazer alguma surpresa pois o estilo de jogo dos adversários não nos era tão desfavorável como por vezes acontece com outros países menos cotados contra os quais passamos mais dificuldades.
O encontro começou de feição e para surpresa de todos entrámos para o último jogo com a desvantagem 37/38 que, dadas as circunstancias, nos parecia mais uma vantagem do que uma desvantagem pois deixava em aberto uma possibilidade que à partida era impensável.
Tal como se passa em todo o Mundo, um encontro que começou completamente despido de assistência, apenas contrariado pelo incansável Alexandre com o seu grito "DÁ-LHE" que lhe viria a dar cabo da voz até ao final deste memorável dia, estava agora apenhado de atletas e treinadores de outros países assistindo à queda dos mais fortes ante os pequenos Lusos. Fechámos 45/42 e lá seguimos para o Q16.
A Austrália era quem surgia agora no caminho e sabíamos que dificilmente haveria outra oportunidade de chegar a uma final, que era feito inédito para Portugal em Campeonatos do Mundo. Se duvidas tivesse da força que a motivação tem tinha naquele dia ficado perfeitamente esclarecido. Jogámos com tal confiança, que desde cedo atingimos 8 toques de vantagem que gerimos até ao 45/41 final.
Estávamos na final.
Já na Sala principal, um pavilhão imenso com 4 pistas elevadas e uma enorme bancada junto a cada pista, entrámos ao som do apresentador das finais, encobertos pelos enormes atletas Alemães, Hungaros, Ucranianos, Espanhóis, Franceses, Coreanos e os nossos opositores da Estónia. Em cima de cada pista um super placard - electrónico com os nossos nomes... inesquecível.
À entrada para aquele palco as palavras do Mestre foram - "este é o prémio pelo vosso trabalho. Dêem o vosso melhor e desfrutem o momento" - libertando-nos de grande pressão táctica. Mas em breve lá estávamos de resultado nivelado e queríamos era chegar às medalhas. Várias vezes recordamos a imagem do Alexandre sozinho na nossa bancada gritando "DÁ-LHE", pois na pista à nossa frente a França, equipa da casa, tinha a bancada repleta enquanto eliminava a Coreia passando às meias finais.
Para o último jogo partimos com a mesma desvantagem de 1 ponto que tínhamos tido bem cedo pela manhã ante a Áustria e eu sabia que podia recuperar frente ao experiente Kaaberma, precisava era de empatar perto do fim do tempo, pois sabia que ele não iria arriscar. Eu queria era jogar o toque decisivo.
Mais uma vez David estava prestes a derrubar Golias e o público Francês começou a deslocar-se para o nosso lado e a gritar "Porrtiugal, Porrtiugal, Porrtiugal", abafando a rouquidão do desgastado Alexandre. Um momento inesquecível.
A 20 segundos do fim perdíamos 41/42, exactamente como eu tinha desejado, Kaaberma estava encostado ao fim da pista enquanto eu pressionava preparando um ataque, até que encontro o momento certo e... atiro ao pé falhando o alvo e recebo o contra-ataque. Por vezes com o Bruno relembramos aquele toque. A ponta bateu no chão mesmo ao lado do pé, desfazendo um sonho que... quase foi realidade.
O 8º lugar final deixou-nos radiantes, mas ainda hoje sentimos que poderíamos ter feito um pouco mais. Pela noite fora festejamos com as poucas forças que a jornada nos deixou.
O desporto, tal como a vida é feito de alguns momentos de alegria, no meio de bastantes dificuldades. É preciso preservar a memória dos primeiros para estar sempre pronto para enfrentar os segundos. Até porque, como disse Angelo Mazzoni, a grande dificuldade da derrota é... saber que não será a última.

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