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Pré-Requisitos para Seleccionador... de Futebol. PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Nuno Frazão   
Sexta, 13 Agosto 2010 16:32

Todos sabemos que o Desporto é uma Escola para a vida. Uma Escola não só através da prática, promovendo o desenvolvimento de características tão essenciais como o empenho, a dedicação, a organização, a disciplina, etc., etc., mas também através dos exemplos que coloca ao nosso dispor, com destaque para os percursos e atitudes das figuras de maior destaque.

Infelizmente (e digo infelizmente apenas por ser exclusivo da modalidade e não com qualquer sentido crítico à sua “população”), o Futebol e os seus “artistas”, ocupam um lugar de destaque nisto dos exemplos, entrando pelas nossas vidas praticamente à força, tão difícil é darmos um passo sem “chocar” com uma notícia futebolística na televisão, rádio, net, jornais, revistas, cartazes, etc., etc..

A “novela” do momento – Frases proferidas pelo professor Carlos Queiroz à equipa de controlo anti-doping no estágio da Selecção na Covilhã, referentes ao Dr. Luís Horta – preocupa-me por dois aspectos:

  1. Porque ocupa, em jornal desportivo, uma área de escrita, da qual uns míseros 10% fariam as delícias da Esgrima Nacional durante uma época na divulgação dos seus desempenhos.
  2. Porque torna difícil continuar a explicar aos meus filhos que existem um conjunto de palavras e expressões que não se devem utilizar em circunstância alguma por serem ofensivas e que compõem o grupo dos palavrões.

Quanto a este último ponto, embora sabendo que o crescimento de cada um nos fará passar por várias fases, e sem estar para aqui com moralismos, o que me incomoda è estar-se a passar a mensagem que estas expressões são normais, todos as usamos e, como tal… nenhum problema.

A verdade, caso a história seja a que temos ouvido contar, é que o professor Carlos Queiroz terá tido uma atitude incorrecta. Mais incorrecta ainda por ter sido tida no exercício das suas funções profissionais e com a agravante das responsabilidades que o seu posto acarreta.

E o que fazer? Simples. O mesmo que se deve fazer em qualquer erro, de qualquer dimensão. Reconhecer o erro, assumir as responsabilidades e arcar com as consequências.

Isto das figuras públicas não pode ser só para recolher o lado bom (maior visibilidade, melhores contratos, publicidade, etc., etc.). Como dizia o meu Chefe - “ Não pode ser uns a comer os figos e os outros a rebentar-lhes a boca”. É preciso saber estar. Não é bem a mesma coisa estar no café com um grupo de amigos contando uma anedota mais apimentada, ou estar no local de trabalho em interacção com outros profissionais. E mesmo na anedota no café… cada um sabe de si.

Espero que esta “história futebolística” acabe depressa, por todos os motivos e mais algum, mas espero ainda mais poder contar com os exemplos do Desporto para continuar a tentar transmitir, pelo menos aos meus filhos, o lado certo e errado das coisas, lembrando-lhes que na vida iremos cometer alguns erros e nem sempre conseguiremos estar do lado certo mas, é nesses momentos que… temos que ser uns Homenzinhos.

A 20 de Setembro de 2007, o Sr. Scolari, Seleccionador de Futebol de então, tinha-me levado a abordar o tema através do artigo:

“Pode ajudar Sr. Scolari?

Diário do Nuno – 20 Setembro 2007

Estou a escrever-lhe pela 2ª vez (a primeira foi em 7de Julho de 2006  http://www.esgrimapfc.com/index.php?option=com_content&task=view&id=141&Itemid=88888890 ) para lhe pedir ajuda, caso seja possível.

 

Sempre admirei as pessoas que desempenham com excelência as áreas do ensino e do treino tratando com mestria os pequenos detalhes que fazem a diferença para os demais, pelo que a sua pessoa faz parte de um pequeno conjunto de profissionais que considero de referência.

 

Ao longo dos cerca de 20 anos que já levo ligados ao ensino/treino tenho tentado tratar o tema da indisciplina com… naturalidade. Procuro transmitir aos meus alunos que por vezes cometemos erros, embora existam erros que ultrapassam todos os limites e que de facto não há nenhum motivo que o justifique. Digo-lhes que depois do erro cometido, o que há a fazer é levantar a cabeça, reconhecer e assumir a responsabilidade do acto, sem procurar agravar mais a situação com desculpas esfarrapadas ou enrolando ainda mais a história. E, por fim, digo-lhes que temos que arcar com as consequências do nosso erro, quer seja pelas sanções que nos sejam aplicadas quer seja tomando as medidas adequadas, tendo em conta a responsabilidade e o papel que ocupamos face à gravidade do erro que cometemos.

 

Foi também neste período de tempo que vivi algumas situações de grande classe, a maior parte delas da protagonizadas por pequenos grandes Homens. Lembro-me por exemplo de uma aluna da minha escola que, depois de uma violenta agressão física a uma colega (que lhe havia “roubado” o namorado no fim de semana), se dirigiu imediatamente ao conselho executivo e disse-me: “Stôr, pode-me mandar uns dias para casa porque acabei de esmurrar a… Sei que não devia fazer, mas isto era uma coisa pessoal que eu tinha que resolver hoje”. O que é certo é que foi instaurado um processo disciplinar que acarretou alguns dias de suspensão pese embora, na altura da aplicação da medida as duas fossem já grandes amigas novamente.

Ainda na Escola, como Director de Turma, tive um aluno que depois de um conjunto de disparates (que já nem me lembro o que foi) colocou o seu cargo de Delegado de Turma à disposição, pedindo-me para escolher outro porque não lhe parecia muito bem estar a representar a turma.

 

Ora é exactamente porque neste momento não sei se devo pôr em causa tudo aquilo em que sempre acreditei que lhe estou a pedir ajuda, uma vez que, segunda a minha opinião, a agressão que protagonizou no final do jogo com a Sérvia é um erro que considero para além de todos os limites, o reconhecimento do erro foi quase arrancado a ferros 24h depois da ocorrência, já que no próprio dia as declarações eram até muito contrárias e, para cúmulo, a sanção que lhe foi aplicada é no mínimo… ridícula.

 

Como também não considerou o sucedido, motivo suficiente para colocar o cargo de Seleccionador à disposição, gostaria que me ajudasse a compreender tudo isto de uma forma que me faça algum sentido.

 

Tudo o que de bom fez nestes anos e a conduta que o caracterizou ao longo da vida merecia o respeito por parte das pessoas responsáveis pela sua sanção, com a aplicação de uma medida à altura do erro cometido. Só assim, passado o castigo, poderíamos seguir em frente com o caso devidamente arrumado. Assim, tudo parece pouco… claro, e um profissional como o Senhor não merece ser tratado assim.

Com os melhores cumprimentos,

Nuno Frazão”

 

Queiroz e Scolari são sem dúvida dois excelentes profissionais da área do Treino Desportivo, a quem muito deve o Futebol Português, não podem é, por isso, estar acima de todos nós.

Embora não seja o ideal, para além do muito que aprendemos com eles pelo bem que fizeram, aqui ficaram também dois ensinamentos pela negativa.

É que nisto de aprender, não é só ficar a saber como se faz. Muitas vezes, mesmo sem saber por onde seguir, é sempre bom saber por onde não devemos ir.

Pré-Requisito para Seleccionador de Futebol?... “Nha”. Não me parece.

 

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