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Analisando as sondagens. PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
A última sondagem que lançámos na nossa página rodeava-se de um particular interesse, pelo menos para mim.
Mais do que reflectir sobre o valor da Esgrima Portuguesa nos dias de hoje tratava-se de ver qual a percepção que as outras pessoas têm desse mesmo valor.
Quem me conhece sabe que tenho alguma aversão à condução desportiva com base nos números, pois considero-os meros indicadores. A França jogou a prova de Espada dos jogos Olímpicos de Atlanta sem o nº1 do Ranking Mundial e não foi menos forte, a Húngara Nagy revalidou o Titulo Olímpico em Atenas mesmo após uma época sem nenhum resultado de destaque, o Suíço Marcel Fisher sagrou-se Campeão Olímpico em 2004 tendo apenas efectuado a sua qualificação para os Jogos na última fase de repescagem onde a 20 segundos do final perdia o jogo decisivo por 11/13. No entanto, reconheço que são os resultados que fazem a História e é a sua consistência que dita o poder desportivo das diferentes Nações.
O equilíbrio entre quem considera os resultados Portugueses nas últimas duas grandes competições - Mundiais de Seniores e Europeus de Juniores - inferiores ás suas possibilidades (50%) e dentro das suas possibilidades (50%) é no mínimo interessante.
Para responder à pergunta colocada é necessário saber onde está a fasquia. Qual o rendimento esperado e principalmente quais os factores que nos levam a criar determinadas expectativas.
É comum no nosso meio o seguinte tipo de expressão:
"Fui eliminado na Poule mas esta era muito forte. Tinha um Francês, um Alemão, um Italiano, um Checo que não jogava nada mal e um Maltês muito fraco a quem dei uma zerada".
Quer dizer então que, na nossa cabeça, existem os fortes (Franceses, Alemães, Italianos e mais duas ou três superpotências), existem meia dúzia de artistas salteados por Países de menor expressão e existem os Fracos. E nós? Onde nos colocamos? Bom, por esta análise, somos logo a seguir ás superpotências, aceitando a sua superioridade e permitindo apenas alguns desaires face aos tais artistas "avulso".
Os longos anos em que tive possibilidade de jogar por esse Mundo fora rapidamente me ensinaram que um indivíduo não é um bom jogador pelo simples facto de nascer em França ou Itália e muito menos está condenado ao fracasso quando desperta para a vida numa posição geográfica "esgrimisticamente" mais desfavorecida.
Conheço bem a maior parte dos Atletas que constituíram as nossas selecções nas competições em questão. Não tenho dúvidas do seu valor e muito menos do seu empenho e determinação para obter o melhor resultado possível. Mas estaria a mentir se dissesse que, de uma forma global, não considerei estes resultados como dentro das possibilidades actuais. E faço-o publicamente pelo respeito que me merece o nível que alguns desses mesmos atletas já tiveram e o talento que os mais jovens demonstram e que, com muito trabalho e dedicação, seguramente levarão a Esgrima Nacional bem mais longe.
Na minha opinião, pode-se treinar de muitas maneiras, jogar com os mais variados sistemas tácticos, competir aqui ou ali. O que não se pode é continuar a apagar a ilusão de quem tem determinação e talento, pelo simples facto de, estando ainda no início do percurso, ter a obrigatoriedade de produzir uma realidade que provavelmente... está mal aferida.
Os atletas da equipa Espanhola de Espada da década de 90 fizeram todos finais de Taças do Mundo, mas até ao Titulo Mundial de Pereira em 1989 os seus resultados eram bem inferiores. Provavelmente eles até já estavam preparados para render, só foi necessário... dar-lhes "espaço".

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