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Eu nem queria falar nisto… PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Diário do Nuno
Escrito por Nuno Frazão   
Segunda, 16 Julho 2012 14:19

… mas é mais forte do que eu.

A verdade é que nem consigo abordar o tema com serenidade. Ainda à pouco tempo falava disto com o Pedro e quando dei por mim, estava irratidíssimo, quase aos gritos.

 

Pelo menos fica aqui a promessa (ou tentativa de promessa) de não voltar a tocar no assunto, ciente que este é o momento oportuno para o abordar.

Bom, deixem-me então explicar o que tanto em incomoda e que me acontece de 4 em 4 anos desde 2000.

Aproximam-se os Jogos Olímpicos e a nação começa a sonhar com os desempenhos de excelência que vamos alcançar. E como somos um país que acha (respeitando as exceções e o perigo das generalizações) que o Campeão da 2ª divisão é melhor do que o último classificado da 1ª divisão (isto para facilitar apenas a compreensão deste fenómeno através de um exemplo futebolístico que poderá ser mais facilmente apreendido por todos), não compreendendo que o último classificado do grupo dos melhores, pertence ao grupo dos melhores e que o primeiro classificado dos restantes, pertence ao grupo de todos os que estão depois do grupo dos melhores, a excelência com que se sonha traduz-se, obviamente, em medalhas.

Claro que a ambição é legitima e ninguém mais do que os atletas Olímpicos e seus treinadores sonha e trabalha para além dos limites com vista à excelência desportiva, com as ditas medalhas à vista mais ao fundo ou ao início de um túnel, cheio de incertezas e de travões, que, no fim, deixará apenas avançar 3 dos heróis que alcançaram um lugar na linha de partida desta fase tão avançada.

Mas as “gentes” não compreendem (e a maior parte das vezes nem é culpa própria, pois de desporto todos entendem e qualquer um fala de cátedra desde a mesa de um qualquer café até ao programa de TV de maior audiência, passando pelos jornais desportivos e outros meios de comunicação) e veem muitas vezes nos Atletas Olímpicos, à partida, a excelência que nunca lograram aproximar em nenhuma das áreas das suas vidas e, após os seus desempenhos entre a Elite Mundial, vivem mais um fracasso que muitas vezes se construiu à volta de uma expectativa completamente irreal.

E neste 2012 estamo-nos a pôr mesmo a jeito para, dentro de um mês, estarmos a assistir à condenação pública daqueles que, sem qualquer dúvida, são os verdadeiros heróis de um País que tão pouco investe no desporto e na construção da excelência desportiva e que, em condições muitas vezes adversas, alcançaram um lugar entre o restrito grupo dos melhores.

Este ano, pela primeira vez (mas quase que arrisco que apenas pela proximidade do Europeu de Futebol e pelo que foi feito pelos astros da bola), assistiu-se a um espetáculo oficial de despedida da comitiva Olímpica, com um grandioso espetáculo no pavilhão Atlântico, “arrastando” um dos slogans do Euro da Bola – deixem-nos sonhar.

Pela primeira vez os responsáveis máximos estão a ser comedidos nas perspetivas de resultados (medalhas) e… por incrível que pareça… estão a ser criticados por falta de confiança nos atletas Olímpicos.

Não se esqueçam meus amigos que Portugal veio de uma meia final do Europeu de Futebol como se tivesse alcançado apenas objetivos mínimos e, este resultado entre os semi-finalistas, só trouxe de positivo o facto de ter sido um desempenho superior ao descrédito inicial na seleção da bola pois, mais uma vez, não tínhamos ganho.

Claro que quando olho para tudo isto, estou mesmo a ver o que se irá escrever Agosto dentro quando os nossos super-atletas começarem a regressar “apenas” com resultados regulares do meio da Elite Mundial.

E é isto que me revolta desde 2000. Talvez seja isto aquilo que nunca consegui digerir da minha passagem pelos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996 e que muito me incomoda a cada 4 anos. Não que pense no meu caso pessoal, embora tenha alguma dificuldade em olhar alguns recortes de jornal que tenho guardados, escritos por profissionais que não pertenciam aos 46 melhores do Mundo da sua profissão com frases no mínimo… infelizes – em relação ao desempenho no meu, chamemos-lhe “segundo trabalho” – mas porque alguns dos nossos grandes atletas serão também vistos como eu fui nos Títulos da imprensa:

 

Correio da Manhã – 21/7/96

“Portugueses desiludem na Estreia”

 

Jornal de noticias – 21 de Julho de 1996

“Nuno Frazão cedeu logo na 1ª Eliminatória”

 

Público – 21/7/96

“Oito minutos para Nuno”

 

Talvez Portugal tenha que optar por utilizar a politica desportiva de alguns dos países do norte da Europa, onde, independentemente da obtenção de mínimos Olímpicos, o seu Comité Olímpico Nacional estabelece uns mínimos próprios correspondentes a uma classificação entre os 16 primeiros do Mundo e só leva aos Jogos Olímpicos esses mesmos atletas que têm possibilidades concretas de terminar na frente.

Assim, não teríamos estes Heróis do Desporto Nacional a “envergonhar” as espectativas deste pequeno retângulo à beira mar plantado por pertencerem à Elite Mundial.

O Sonho Olímpico é uma coisa muito especial, onde todos os que o arriscam serão vencedores pela vida fora, construindo ferramentas que os tornarão especiais quer seja na sua profissão, escola, relações pessoais, ou “simplesmente” a defender uma tese de fim de Curso algures num auditório de uma Universidade.

As medalhas são a cereja no topo do bolo, um patamar onde apenas chegam os melhores… de entre os melhores.

Que ninguém seja culpado… por, “apenas”, pertencer ao grupo dos melhores.

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