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O Mundial que eu vi PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Não foram muitos os Mundiais em que estive. Atenas e Haia em meados dos anos 90, Nimes, Lisboa e Havana, de 2001 a 2003. A Turim resolvi deslocar-me para assistir a uns Campeonatos que, pela participação do Ricardo e pelo País em que se disputavam, se revestiam de um interesse especial para mim.
Após uma viagem tranquila, instalou-se o "stress" das bagagens que não chegaram. Numa ligação Madrid-Turim, efectuada num pequeno avião lotado de esgrimistas, o espaço para a bagagem não contemplava tantas malas de dimensões invulgares e, voo após voo acumulavam-se as bagagens em espera das quais faziam parte os sacos de todos os Espadistas Portugueses (situação que só viria a ficar completamente resolvida na tarde seguinte).
Para sábado estava reservado o primeiro grande momento destes 4 dias em terras Italianas. Aproveitando o "balanço" dos Jogos Olímpicos de Inverno, que haviam decorrido em Fevereiro nesta mesma cidade, Turim brindou-nos com uma Cerimónia de Abertura como nunca tinha assistido. Após um desfile, onde os desportistas foram aplaudidos por milhares de pessoas que enchiam completamente as ruas do centro da Cidade, deparámo-nos com um espectáculo verdadeiramente incrível onde música, dança e representação, sempre em alusão à Esgrima, deslumbraram todos quantos tiveram o privilégio de estar presentes.
A verdade é que, em termos desportivos, bem antes da Cerimónia de Abertura se estava já a fazer História nos Mundiais de Turim. Pela manhã, Débora Nogueira tinha carimbado a primeira passagem ao quadro principal de uma Floretista em Campeonatos do Mundo, sendo a responsável pelas primeiras alegrias da delegação.
No domingo, a Débora viu-se eliminada no quadro principal frente à fortíssima Polaca Grouchala enquanto os Espadistas se preparavam para entrar em competição. Após uma primeira ronda onde todos somaram uma derrota, começaram a chegar as vitórias reforçando a confiança de todos quantos os acompanhávamos que, no habitual frenesim de andar de pista em pista, tentávamos manter-nos informados - "Aqui estamos duas / uma. Sabes do João?"; "O Jaquim ganhou ao Abajo."; "O Cordeiro está com duas / duas"; "..."
Terminada esta fase, apenas havia a dúvida da passagem do Ricardo, já que as suas duas vitórias tinham sido obtidas em poule de 7, colocando-o em desvantagem face às poules de 6. Após um interminável quarto de hora em frente ao televisor chegava a boa notícia. Todos tinham passado à fase seguinte. O quadro preliminar de 128. Havia agora que ultrapassar dois adversários para chegar ao quadro principal, uma vez que a Espada tinha 171 atiradores em prova.
O Ricardo foi o primeiro a entrar em acção frente ao Finlandês Koroknay, um jogador muito experiente já com alguns resultados de bom nível. Num assalto jogado com irrepreensível disciplina táctica, chegou a primeira vitória por 15/8 e a certeza que estávamos no bom caminho.
Em simultâneo iniciaram os seus jogos o João, o Cordeiro e o Videira. No final, mais duas vitórias e a possibilidade para 3 atiradores de disputar a entrada no quadro principal, feito que veio a ser alcançado apenas pelo Videira, eliminando o Iraniano Rezzae.
A 2ª-feira Histórica abriu com as poules de Florete, onde o João demonstrou todo o seu valor somando apenas vitórias e passando directo ao quadro principal. David Oliveira veio também a classificar-se para o quadro 64 enquanto o Gael se quedava pela fase de poules. A Ana também passou a poule, vindo mais tarde a ser eliminada pela Americana Hurley.
Enquanto o Videira abria a jornada colocando fora de prova o Norueguês Morche (medalha de Bronze de 2005), dava-se início à "queda prematura" de alguns dos grandes nomes como Jeannet , Kolobcov, Rota e Fischer.
Com o decorrer da prova fui assistindo à "repetição" do Europeu de Copenhaga com o Videira a eliminar de competição todos quantos lhe apareceram pela frente. Com uma aparente facilidade, Videira aplicou a esgrima que o caracteriza com uma tranquilidade e segurança demolidora, demonstrando estar perfeitamente adaptado aquela posição de guarda e ao ritmo que coloca em pista.
O último assalto a que assistimos foi a vitória sobre Confalonieri carimbando a entrada nas medalhas. Com o voo de regresso marcado para as 18h30 tínhamos que sair no transporte das 16h. Já estávamos na carrinha, com a bagagem toda arrumada mas... foi mais forte que nós. Pedimos ao condutor para esperar e voltámos a correr para o pavilhão assistindo a mais esta vitória numa bancada repleta de Italianos.
Já no avião, ainda com os telemóveis ligados (não se podia dizer), recebemos a notícia... Videira na Final. Chegados a Madrid, a informação final...Vice-Campeão do Mundo por um toque. Fantástico.
Dos 9 atiradores Portugueses em prova, 8 passaram as poules, 4 classificaram-se para o quadro principal, 1 terminou em 15º e 1 foi medalhado. A Prata do Videira é ainda um grande incentivo aos técnicos Portugueses já que esta foi também a Prata do Mestre Helder Alves, responsável pela preparação do atirador. Os dois acreditaram e...foi possível. Do desempenho deles, todos podemos retirar grandes aprendizagens. Agora há que não perder o balanço... e a ambição.
Se tudo se passou de facto assim? Nunca saberei. Mas este foi... o Mundial que eu vi.

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