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Ser o Melhor ou o Mais Forte? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Diário do Nuno
Escrito por Nuno Frazão   
Terça, 12 Maio 2015 15:54

Aproximava-se mais um nacional e, como habitualmente nestes períodos, intensificam-se os exercícios para preparação dos jogos de equipas.

De um lado um grupo mais homogéneo, constituído por 3 membros do quarteto que iria jogar, do lado contrário o mais experiente da formação titular, o colega que desta vez iria ficar como 5º elemento e mais um adulto. A distribuição não tinha sido feita ao acaso e a matéria a lecionar estava preparada, esperando apenas que o rumo dos acontecimentos criasse a oportunidade para a aprendizagem.

 

Bafejada pela sorte, a equipa técnica via o momento chegar. O trio homogéneo tinha entrado mal e via-se a perder logo desde o primeiro assalto. A ansia de rapidamente colocar o marcador no registo esperado avolumava os erros e, com eles também aumentava a diferença no marcador.

No lado heterogéneo crescia a confiança a cada minuto que passava, alimentada pela permanência numa posição inesperada de vantagem. No lado mais homogéneo os rostos falavam por si expressando uma aflição de quem se via na obrigação de estar numa posição que não aquela.

Chegava o momento de interromper.

“Qual é a melhor equipa?”, questionou a equipa técnica.

A resposta teimava em não sair. Não que cada um não soubesse dizer o que lhe ia na cabeça desde o inicio, classificando o trio homogéneo como o melhor, mas a tensão do momento e o respeito pela qualidade dos restantes adiou as respostas que pouco a pouco lá foram saindo, apontando para a equipa que estava em desvantagem como a melhor.

“Pois é. Talvez aquela seja a melhor equipa mas… a Esgrima não mede quem é o melhor. A Esgrima mede quem é o mais forte. O melhor é uma coisa meio abstrata, de carater qualitativo que ninguém saberá bem até definir o que é.

O melhor é o que faz mais coisas diferentes? Quando tantos têm sucesso com repertórios mais reduzidos?

O melhor é o que ganha? Quando tantas vezes esse mesmo melhor perde?

O melhor é…

A Esgrima não mede que é o melhor. A Esgrima mede quem é mais forte… num dado momento. E para ser o mais forte num dado momento não interessa se se é o melhor ou não. O mais forte é o que dá o toque. E cada vez que se dá início ou se retoma um assalto, apenas um toque está em jogo. E é esse toque que merece ser conquistado com todo o nosso entusiasmo e empenho.

Porque a equipa homogénea se acha mais forte, assim que ficou a perder sentiu-se em situação de insucesso e está a sofrer desde o início com pressa de passar para a frente, que é o local onde a sua condição de melhor os obriga a estar.

Porque a equipa heterogénea acha a outra melhor, ao ver-se na frente ganhou forças que nem sabia que tinha e lá segue na dianteira.

Na Esgrima não há melhores nem piores. Na Esgrima há os que tentam ser mais fortes (e que muitas vezes vão ganhar e muitas outras perder) e há os outros (que muitas vezes vão perder e uma ou outra ganhar).”

Por força do adiantado da hora aquele treino acabou mesmo por ali.

Dois dias depois retomou-se o trabalho no ponto onde tinha ficado. Reforçou-se a mensagem e o encontro seguiu animado de parte a parte numa discussão de toques entre iguais, sendo apenas decidido num 45/44.

Mais dois dias passados e os mesmos interpretes passavam por tudo o que tínhamos estudado, desta vez em contexto competitivo e, alheios a quem era ou não a melhor equipa, disputaram cada ponto com o carinho e dedicação que cada toque merecia quer quando estiveram em desvantagem quer quando estiveram em vantagem e, no fim… foram mais fortes.

Melhor ou Mais Forte pode parecer apenas um simples jogo de palavras mas, na minha opinião, pode ser a diferença entre o crescimento de um atirador de sucesso, centrado nas suas forças e capaz de crescer com os aspetos positivos dos seus fracassos ou um atirador de sucessos, que vence quando os outros lhe são inferiores e apenas perde quando os erros dos árbitros, a sorte do adversário e os seus próprios azares dirigem o marcador.

Não esquecendo que esta é uma modalidade “cruel”, capaz de atirar um Campeão para os últimos lugares de uma qualquer prova menos conseguida. Onde como alguém já disse:

“O verdadeiro problema da derrota é sabermos que não será a última”.

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