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Diário do Nuno, uma espreitadela no passado – “Toque Decisivo”, “… não dar vantagem aos adversários” e “Contornar o problema”. PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Diário do Nuno
Escrito por Nuno Frazão   
Sexta, 22 Janeiro 2010 14:59

Nos dois primeiros artigos deste “Capítulo” – Diário do Nuno, uma espreitadela no passado – falei do nascimento do “Diário do Nuno” e da forma como cheguei à estrutura base da construção dos artigos.

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Reflectir sobre as “coisas”, partindo de situações que iam acontecendo no dia-a-dia do grupo de trabalho, contextualizando-as com histórias vindas da minha experiência como atleta, treinador, estudante e espectador do Mundo do Desporto e da Esgrima em particular, procurando, sempre que possível, estabelecer um transfere para a Vida extra-desportiva era o caminho que tinha traçado para o “Diário do Nuno”.

 

Para além de umas reflexões mais gerais, como as apresentadas no artigo anterior, procurei também escrever sobre situações concretas do esgrimista, quer fossem aspectos técnico-tácticos ou aspectos psicológicos em situações concretas da competição.

 

Percebi que esta ferramenta tecnológica – Internet – abria novas portas no mundo do ensino e do treino.

 

Muitas das aprendizagens que um treinador promove são realizadas em contexto individual ou em pequenos grupos. Explicações teóricas, apoiadas numa ou noutra história a título de exemplo, nascem e morrem num circuito fechado numa lição individual, ou numa “conversa de corredor” tida com determinado atleta ou pequeno conjunto de atletas.

Para além da questão circunstancial, também as características individuais dos atletas, assim como das relações de proximidade que estabelecem com os treinadores, interferem com a oportunidade de determinadas conversas.

O Diário trazia-me a possibilidade de transportar algumas destas conversas para um “espaço aberto”, onde todos chegariam se assim o entendessem, não sendo obrigados a concordar ou a discordar, ou mesmo a expor-se nas suas forças ou fraquezas, mas com a possibilidade de fazer a sua própria reflexão, quando e no contexto em que lhes fizesse mais sentido.

 

Com este propósito foram escritos alguns artigos como:

 

 

“Toque Decisivo.

13-12-2005

   Vosu, espadista da Estónia, sagrou-se Vice-Campeã Mundial de Espada Feminina em Leipzig 2005 perdendo a final no toque decisivo, depois de um assalto equilibrado cujo tempo carimbou com um empate. Até aqui nada de extraordinário pois "por um se ganha, por um se perde".

   Se olharmos com mais atenção para o percurso desta atleta nessa mesma competição deparamo-nos com a seguinte curiosidade. Todos os jogos desde o Quadro 64 foram ganhos apenas no toque decisivo, com excepção do Quadro de 8 onde venceu por 9/7. Assim, verificamos que nos 6 jogos que lhe deram a apetecível medalha, 5 foram decididos no toque decisivo com um saldo final favorável de 4 vitórias e 1 derrota.

   Na jornada Europeia da nossa Sala de Armas no passado fim-de-semana contabilizamos cerca de uma dúzia de jogos disputados no toque decisivo, tendo no entanto vencido apenas um par deles. Não se trata aqui de comparar nem de tirar grandes ilações sobre os desempenhos concretos, mas sim reflectir sobre a natureza específica do toque decisivo para podermos estar melhor preparados para o disputar.

  Dizia o Mestre Horvath "O toque decisivo necessita de um projecto. Definam-no, preparem-no e executem-no". Claro que cada toque necessita de um projecto, mas estas palavras tinham um sentido muito claro. O toque decisivo não pode ser jogado na expectativa do erro adversário oscilando entre uma solução defensiva e outra ofensiva consoante o rumo do minuto final. O Toque decisivo tem que ser construído, tendo por base:

  • as características do adversário
  • a história do jogo (vindo de uma recuperação, perdendo uma vantagem nos momentos finais, etc...)
  • a confiança para executar a acção escolhida

   Da conjugação destes 3 factores nasce o projecto para o toque decisivo, ao qual temos que juntar a forma como o vamos preparar, a zona da pista onde o queremos executar o momento temporal ideal para o fazer (início, meio ou final do minuto).

  Não quer isto dizer que o toque decisivo tenha que ser jogado com um projecto ofensivo, muito pelo contrário, dependendo da prioridade e da estratégia decidida podem-se construir projectos para este toque que têm por objectivo uma conclusão com base na defesa.

  Sandro Cuomo, antigo Campeão da Selecção Italiana de Espada e actual Treinador efectuou um estudo sobre o toque decisivo onde verificou as vantagens da iniciativa para o êxito nesta situação. Isto assim parece importante - Decidir e Aplicar.

  Claro que os factores psicológicos são determinantes para a confiança com que se disputam estes toques decisivos pois, na maior parte dos casos, os atiradores sentem-se desconfortáveis nesta situação, não a interpretando como uma clara oportunidade para ganhar mas sim... uma inoportuna possibilidade de perder.”

 

 

“Contornar o problema...

18-10-2005

   O Desporto tem um conjunto de particularidades muitas vezes difíceis de compreender de forma racional.

   Como Sportinguista que sou, habituei-me a ouvir e assistir a umas dificuldades futebolísticas constantes na deslocação do "meu" clube ao campo do Boavista criando uma "tradição" de muitos anos sem ganhar, independentemente do bom ou mau momento de forma da equipa.

   Uma dificuldade que não encontrava explicação na forma do campo (rectangular como todos), dimensões da bola, número de jogadores ou posicionamento das balizas. Mas era de facto uma dificuldade real, como que uma "barreira" que impedia o sucesso mesmo quando tudo apontava para tal.

   A Esgrima não foge à regra. Todos nós temos os nossos "adversários de estimação" com quem, independentemente da existência ou não de grandes diferenças de valor, "emperramos" de forma mais ou menos constante cimentando-os como obstáculos intransponíveis.  

   Não se pense no entanto, que este fenómeno é exclusivamente nacional. Contava o Mestre Horvath que o seu compatriota Kovacs, espadista de Top-Mundial, era a "barreira" do Francês Eric Srecki também ele pertencente à Elite Mundial. Os resultados entre ambos eram quase sempre muito desnivelados demonstrando uma incapacidade do Francês de se opor ao Húngaro.

   Em 1992 nas vésperas dos Jogos Olímpicos de Barcelona Srecki dizia a um jornal Francês: "Alguém elimine Ivan Kovacs e eu serei Campeão Olímpico" demonstrando uma grande confiança no seu valor mas transportando a preocupação de uma "barreira" que se tinha criado com o tempo.

   Eu próprio coleccionei alguns "adversários de estimação". Bruno Carvalho foi um deles. Diversas foram as vezes que nos defrontámos, umas vezes um mais forte que o outro, muitas vezes os dois em equilíbrio de forças, mas contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que o venci em oposição a um elevado número de derrotas.  

   Para fazer face a este fenómeno o primeiro passo é identificá-lo. Reconhecer que as dificuldades de determinado embate nem sempre são sinais de mau desempenho técnico-táctico mas sim fruto de uma antecipada aceitação de incapacidade de resolver os problemas criados pelo adversário. Concentrar na tarefa alterando, se necessário, estratégias e acções é a solução na procura dos toques necessários para a construção das vitórias.

   ...já agora, em Barcelona, Eric Srecki e Ivan Kovacs encontraram-se nos quartos de final e... Srecki foi Campeão Olímpico... mesmo sem ter que contornar o problema.”

 

 

...não dar vantagem aos adversários.

12-11-2005

O Mestre Horvath chamava-lhe "perder o fio".

Por vezes um atleta passa fases extremamente difíceis na sua carreira competitiva. De forma mais ou menos inexplicável as "coisas" começam a não sair bem, a luz do aparelho deixa de acender para o nosso lado, parece que não sabemos o que utilizar durante os jogos e mais complicado ainda não temos sequer ideia do que fazer, como se um vazio técnico-táctico se instalasse em nós.

   Conheço vários momentos destes (os meus e os dos outros), alguns deles constituindo verdadeiras "travessias do deserto" com um acumular de resultados bem abaixo das nossas capacidades.

   Esta situação não se explica à luz do conceito de "forma desportiva" pois muitas vezes perdura indiferente à multiplicidade de factores que contribuem para o desempenho desportivo.

   Dizia Horvath que o importante era trabalhar ainda mais nestes momentos pois a tendência é para afrouxar face à desmotivação que por vezes se vai instalando.
  É que assim como por vezes "perdemos o fio" mais tarde ou mais cedo "o recuperamos" e nesse momento queremos estar na máxima força... para não dar nenhuma vantagem aos adversários.”

 

Estes eram artigos dirigidos aos Esgrimistas que estavam nesta modalidade com objectivos competitivos, ajudando-os a conhecer melhor, alguns dos momentos mais específicos e alguns dos momentos mais difíceis pelos quais todos passam.

 

Nisto dos momentos difíceis, uma das coisas mais importantes é perceber que não estamos sozinhos. Que não nos acontece só a Nós.

 

E mesmo que ninguém saiba qual a solução nos momentos difíceis, é bom saber e conhecer alguns caminhos que já foram percorridos… Para que cada um, nesta difícil tarefa de competir, possa encontrar o SEU próprio caminho.

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