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Um último toque no "Mundo da Bola" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Nuno Frazão   
Terça, 29 Junho 2010 21:15

Corria o dia 8 de Julho de 2006, dia da disputa do 3º e 4º lugar do Mundial de Futebol que opunha Portugal à Alemanha, quando decidi escrever um artigo intitulado - Se eu escrevesse ao Sr. Scolari.

 

ball1Escrevi-o em formato de carta, mesmo antes de saber o desfecho da participação nacional e, embora reconheça que me senti tentado a procurar enviá-la ao treinador da Selecção Portuguesa, acabei por “conservá-la” no Diário apenas como um artigo.

 

Hoje, 4 anos depois e com Portugal afastado do Mundial da África do Sul, lembrei-me deste artigo.

 

É verdade que poucas são as semelhanças do contexto de hoje com o de à 4 anos. A vibração do povo em torno da Selecção não é a mesma (ou pelo menos não é tão visível. Quem não se lembra do apelo Scolari às bandeiras nas janelas que coloriu de verde e vermelho as ruas do nosso País), as esperanças num desempenho positivo eram menores (e nunca sabemos bem o que isso quer dizer pois Portugal foi vice-campeão da Europa e… olhou para si próprio como um derrotado), a confiança em Queiroz era… Bom, aqui temos que não esquecer que a confiança nos treinadores nunca é grande, com as convocatórias sempre envoltas em grandes polémicas (o jogador que devia estar e não está, ou aquele que está e não merece estar), as substituições que são sempre “absurdas” e incompreensíveis… as tácticas que, obviamente, estão erradas…

Claro que tudo isto se supera quando o resultado é uma vitória, o pior é quando não é.

 

Mas será que mesmo com todas estas diferenças a carta ao Sr. Scolari abordou temas que fazem parte, apenas, do passado?

Pois… cada um que faça a sua própria reflexão. A mim, o momento futebolístico despertou-me a vontade de relembrar a carta ao Sr. Scolari.

 

 

“Exmo. Sr. Scolari


O meu nome é Nuno Frazão, tenho 34 anos e estou ligado há quase 20 a uma pequena modalidade chamada Esgrima, na qual fui praticante e me dedico agora ao ensino e ao treino.

Gostaria de começar por felicitá-lo pelo excelente trabalho efectuado na Selecção Nacional de Futebol que se reflecte num conjunto de resultados de excelência - Vice-Campeões da Europa, apuramento para a fase final do Mundial e 3º ou 4º lugar no Campeonato do Mundo - que confirmam, finalmente, Portugal como uma das grandes potências do Futebol Mundial.

Gostaria ainda de agradecer a forma exemplar como acredita e faz acreditar os seus atletas nas suas capacidades e especialmente como promove a superação daqueles que parecem ser os limites a cada momento.
No entanto, porque também eu tenho a mania de acreditar e acredito que as coisas podem ser diferentes, permita-me a veleidade de "comentar" a expressão que proferiu no final do Portugal-França, reportando-se à pequenez do nosso País. Entendi de forma clara que se referia ao peso, ou falta dele, que temos no "Mundo Político do Futebol" e as implicações que daí podem advir, nomeadamente nas decisões, mesmo que involuntárias, dos árbitros. Aliás nessa matéria, nós esgrimistas, conhecemos bem na pele o que é ser um País sem expressão internacional, especialmente em disciplinas como o florete e o sabre cuja atribuição de cada ponto resulta directamente da interpretação do árbitro.

Para mim, não é nessa pequenez que se vê travado o sucesso do desporto nacional. Portugal é pequenino porque se "Encolhe".

Portugal é pequenino porque hoje, dia da disputa do 3º lugar do Mundial, já não transporta nas ruas tantas camisolas e bandeiras da selecção como o fez até perdermos o sonho da final. Portugal é pequenino porque tem dinheiro para premiar o sucesso desportivo, mas nunca tem verbas para investir na construção desses mesmos desempenhos. Portugal é pequenino porque tem sempre uma boa explicação para os seus erros e fracassos...

Portugal é pequenino... enquanto nós quisermos.

Se "Portugal é um jardim à beira mar plantado" como se diz, então é preciso passar mais tempo a regá-lo do que a cortar os ramos das árvores do lado. A si, Sr. Scolari, agradeço toda a água que aqui deixou, na esperança que todos nós treinadores das diferentes modalidades tenhamos aprendido mais qualquer coisa.

Com os melhores cumprimentos me despeço, desejando-lhe a continuação de muitos e bons êxitos.

 

Parede, 8 de Julho de 2006

Nuno Frazão”

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