Todos nos querem bem, mas nem sempre se está por dentro da dimensão da coisa Versão para impressão
Diário do Nuno
Escrito por Nuno Frazão   
Segunda, 04 Abril 2016 10:31

O desporto e, mais concretamente o desempenho desportivo, é um Mundo que é pertença de todos e, como tal, opinável.

Entusiasmamos-nos com quem nos representa desportivamente, ou porque é do nosso clube do coração, ou porque o faz em defesa das cores nacionais, ou simplesmente porque é nosso amigo.

A sociedade acelera-nos com o desejo de excelência, mas fica-se por esse objetivo geral e corre o risco de nos educar nesse sentido, indiferente ao contexto em que essa excelência se manifesta.

Com o perigo reconhecido das generalizações (que até é coisa que não gosto de fazer), a verdade é que vivemos num país onde o campeão da 2ª divisão de qualquer coisa (com todo o respeito pela excelência desse Título) é um herói, quando comparado com o último classificado da 1ª divisão dessa mesma qualquer coisa.

Pois a verdade é que sempre senti um orgulho enorme quando fui um dos últimos dentro do grupo dos melhores de um determinado patamar, e é esse orgulho, que quero que os atletas com quem tenho o prazer de trabalhar aprendam a sentir, mesmo quando, à sua volta, com as melhores das intenções, as palavras dos seus amigos possam indiciar uma desvalorização daquilo que fizeram, ou das expectativas que eles mesmo criaram, sem nunca antes terem perguntado qual o sucesso alcançável.

Se ainda aqui estão a ler estas palavras, poderão estar a pensar que estou a justificar os desempenhos deste Mundial de Cadetes, porque de facto, tal como nos perguntam todos os que se entusiasmaram com a nossa participação, especialmente os mais distantes do Mundo do Desporto, não trouxemos nenhuma medalha, ou melhor, nenhuma daquelas que se põem ao pescoço num dos três lugares do pódio.

Quando saímos lá para fora, vamos ao encontro dos melhores entre os melhores e é com eles que aceitamos medir-nos.

Provavelmente, fora do âmbito desportivo, poucas ou nenhumas vezes estaremos no top 100 ou 200 do Mundo, mas, quando atingimos essa excelência, no Mundo do Desporto, ela parece sempre insignificante. A verdade é que só lá chegam, os Campeões de outros patamares iniciais ou intermédios, que não têm medo de continuar a crescer, aceitando dia a dia desafios cada vez mais difíceis.

Por todos esses, do meu ou de outros Clubes, o meu maior orgulho.